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Convivendo com o Transtorno

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Transtorno mental e preconceito

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O Transtorno mental é com freqüência relacinado com o mendigo que perambula pelas ruas, que fala sozinho, com a mulher que aparece na TV dizendo ter 16 personalidades e com o homicida "louco" que aparece nos filmes. Palavras como "maluco", "esquizofrênico", "psicopata" e "maníaco", são vulgarmente utilizadas na linguagem do dia-a-dia. As pessoas olham e dizem: "Isto não me vai acontecer de modo nenhum, não sou maluco, venho de uma família sólida", ou, então," O Transtorno mental não me afeta, isso é problema dos outros". No preconceito relacionado com o Transtorno mental provém do medo do desconhecido, de um conjunto de falsas crenças que tem origem A falta de conhecimento e compreensão. Com este texto, procura-se que haja uma melhoria do conhecimento, desmistificando falsas crenças e estereótipos e fornecendo novos dados acerca do Transtorno mental e das pessoas que dele sofrem.

Alguns conceitos errados sobre Transtorno Mental
  • As pessoas que sofrem de Transtornos mentais não irão nunca se curar?
Os Transtornos mentais são tratáveis e muitos portadores recuperaram a saúde. Eles devem ser encarados do mesmo modo como se olha para as doenças físicas. Tal como as doenças de coração, sabemos que muitas doenças mentais têm causas definidas, requerendo cuidados e tratamento. Quando os cuidados e o tratamento são prestados, espera-se uma melhoria ou recuperação, permitindo às pessoas regressarem à comunidade e retomarem vidas normais. Infelizmente, os preconceitos impedem que as pessoas, uma vez em tratamento dos Transtornos mentais, consigam dar os passos para reingressar a vida profissional, familiar e social, com total plenitude. Este obstáculo vem bloquear os esforços que permitiriam que as suas vidas seguissem cursos tão normais e produtivos quanto possível. 
  • As pessoas com Transtornos mentais são violentas e perigosas para a sociedade?
Essas pessoas apresentam tantos riscos de crime como quaisquer outros elementos da população em geral. Depois de estar sob tratamento e de volta à comunidade, estas pessoas têm maior tendência para se mostrarem ansiosos, tímidos e passivos, mais sujeitos a serem vítimas de crimes violentos, do que autores dos mesmos. Em uma pessoa que tenha tido acompanhamento psiquiátrico, mas sem passado criminal, tem menos probabilidades de vir a ser preso do que a média dos cidadãos.
  • As pessoas que recebem tratamento psiquiátrico são instáveis podendo perder o controle a qualquer momento?
A maioria das pessoas com Transtornos mentais têm maior tendência para se afastarem do contato social, do que de se confrontarem agressivamente com outros. No receio que a sociedade tem da sua violência é infundado, não sendo uma razão válida para lhes serem negadas oportunidades de emprego, casa ou amizades. Os especialistas afirmam que a maior parte das recaídas aparecem gradualmente e não de forma repentina. Se os médicos, amigos, família e os próprios portadores estiverem atentos aos sinais do Transtorno, as crises podem facilmente ser detectadas e tratadas convenientemente, antes de se tornarem mais graves.
  • As pessoas que foram tratadas de Transtornos mentais são empregados de baixa qualidade?
Muitas pessoas em tratamento de um Transtorno mental revelam-se excelentes empregados, havendo muitos empregadores que declaram sua pontualidade e maior assiduidade que outros colegas. Demonstram serem iguais no que se refere à motivação, qualidade de trabalho e duração de tempo No emprego. Entende-se que algumas destas pessoas estão sujeitas a recaídas, que podem causar períodos de ausência dos seus empregos. No entanto, através de programas que permitam horários flexíveis e períodos de trabalho que se acomodem a estas interrupções, estas pessoas podem se tornar empregados produtivos. É justo que lhes seja dada uma oportunidade.
  • As pessoas que estão sob tratamento de um Transtorno mental estão mais indicadas para exercerem trabalhos de nível inferior, mas nunca posições de responsabilidade?
Em todas as pessoas, a capacidade de progressão numa carreira depende dos talentos pessoais, da destreza, da experiência e motivação. O mesmo se passa com as pessoas com Transtornos mentais. Tem havido muitos exemplos de pessoas que, tendo se recuperado, foram colocados em lugares de muita responsabilidade. Podem mesmo ser personalidades destacadas (Winston Churchill, Primeiro Ministro Britânico  e Abraham Lincoln, Presidente dos Estados Unidos eram Bipolares). É apenas necessário algum encorajamento para que aqueles que estão sob tratamento de Transtornos mentais, possam levar a cabo as suas tarefas com todas as suas potencialidades.

PRECONCEITO
Ninguém duvida que há um enorme preconceito ligado a quem tenha um Transtorno mental. Este preconceito isola o indivíduo em relação aos outros, como se fosse uma pessoa marcada. No preconceito abrange aqueles que tiveram ou têm um Transtorno mental. As relações sociais ficam muitas vezes prejudicadas, como se o portador fosse um ser à parte, objeto, por isso, de uma discriminação rejeitante. A discriminação contra as pessoas com Transtorno mental pode tomar diversas formas:
  1. Uma jovem que não é admitida A universidade porque supostamente não conseguiu os mínimos requisitos para a sua admissão, sem que lhe tivesse sido dada qualquer explicação.
  2. Um homem quis alugar um imóvel, tendo-lhe sido dito que não havia apartamentos vagos. Mais tarde vem, a saber, que dois apartamentos tinham sido alugados a outras pessoas duas semaAs depois de lhe terem sido negados.
  3. Outra mulher trabalhou 6 meses como recepcionista. Quando explicou ao patrão que iria faltar algumas vezes ao trabalho por estar iniciando uma Nova medicação para a seu tratamento Psiquiátrico, foi despedida.

Com base nesta discriminação, aqueles que estão sob tratamento escondem-se freqüentemente atrás de um "disfarce", de modo a manter o seu passado secreto, quando se candidatam a novos empregos.
  • À pergunta se já tiveram um colapso nervoso, respondem que não. Se um patrão lhes pergunta a razão de uma falta mais prolongada ao trabalho, respondem que fizeram uma viagem.
  • Se têm problemas com uma Nova medicação, explicam ser um tratamento para a diabetes ou para a tiróide.
A necessidade de esconder resulta de um receio fundado de se ser rejeitado e desvalorizado, devido a um Transtorno, como se este fosse um mal. No preconceito pode tomar ainda uma forma menos evidente. A mais comum, e mais difícil de corrigir é a linguagem do dia-a-dia, quer oral, quer escrita. Embora a terminologia estigmatizante seja, em geral, muito óbvia, há também formas sutis.
Mesmo o uso generalizado do rótulo "doente mental" para classificar as pessoas com Transtornos mentais, pode tornar-se estigmatizante, para as pessoas como se fossem membros de um grupo indesejável, subentendendo-se que serão sempre "doentes mentais", recusando-lhes o direito de serem considerados cidadãos como os outros. A Mídia (apesar de não o fazer) pode contribuir muito para erradicar o preconceito, promovendo a compreensão e educação do grande público acerca destas doenças, mas também podem ser prejudiciais ao divulgar conceitos errados e negativos, reforçando-o em grande escala (vide matéria "Pequeno Histórico da Bipolaridade"). Nos debates A TV e outros programas/matérias sensacionalistas mostram, com freqüência, uma versão unilateral e negativa dos possíveis efeitos secundários causados por algumas formas de tratamento dos Transtornos mentais, não apresentando ao público os tratamentos bem sucedidos, que ajudaram e ajudam milhões de pessoas a retomarem as suas vidas Normais. Alguns comediantes da moda, fazem pouco das pessoas que sofrem de doença mental, usando as suas incapacidades como uma fonte de humor mórbido e insalubre. Alguns publicitários divulgam imagens preconceituosas de pessoas com Transtornos mentais, como truques promocionais de anúncios, que vão desde a comida, aos automóveis, aos jogos de família e aos brinquedos.
  • No mais importante a ser entendido pelos representantes da mídia e pelo público em geral é que os portadores de Transtornos mentais são pessoas como todas as outras.
  • Que os Transtornos mentais são tratáveis, como as outras doenças.
  • As pessoas deverão ser julgadas pelos seus próprios méritos, e não pelo Transtorno de que sofrem e pelo preconceito a ela ligado.
Aliás, quando o Transtorno é bem tratado medicamente, sobressai de novo a pessoa saudável numa grande percentagem de portadores.
  • Seria melhor que os meios humanos, institucionais e terapêuticos estivessem à altura das necessidades!

"Os preconceitos são fruto da ignorância e de uma consciência social moralmente negativa. São ainda importantes os obstáculos que as pessoas que sofrem ou sofreram de Transtornos mentais têm de desafiar e ultrapassar No seu caminho para uma recuperação. Torando-nos mais atentos às Transtornos mentais, podemos contribuir para criar as merecidas oportunidades a estas pessoas, permitindo-lhes levar uma vida normal e um regresso à comunidade como membros produtivos, autoconfiantes e capazes de desenvolverem todo o seu potencial."

Comentários
Kal  - Personalidade multiplas   |11-09-2008 20:53:07
Gostaria de saber: existem pessoas com personalidades multiplas? ou isso é
lenda?

Grato
Kal
Marcos  - Existe sim Kal...   |12-09-2008 03:48:53
É pouco comum e muito explorado pela indústria cinematográfica. Segundo o
Psicosite, "O aspecto essencial da personalidade múltipla é a
existência de duas ou mais personalidades distintas dentro de um indivíduo,
com apenas uma delas evidenciando-se a cada momento. Cada personalidade é
completa, com suas próprias memórias, comportamento e gostos de forma bastante
elaborada e complexa. As personalidades são bastante independentes umas das
outras sendo possível inclusive terem comportamentos opostos, por exemplo, uma
sendo sexualmente promíscua e outra recatada. Em alguns casos há completo
bloqueio de memória entre as personalidades, noutros casos há conhecimento
podendo gerar rivalidades ou fraternidades. O observador externo que só
conheça uma das personalidades não notará nada de anormal com esta pessoa. As
personalidades podem ser do sexo oposto, ter idades diferentes e até de outras
raças."
Espero que a resposta tenha ajudado.
Abraços,
Marcos
Kal  - Sera q existe mesmo?   |17-09-2008 17:59:29
Mas meu psiquiatra disse q personalidades multiplas é lenda.
E vi um psiquiatra
falando na tv q em 30 anos de psiquiatria, nunca viu um caso desse no
consultorio.

Grato
Kal
Marcos   |25-09-2008 02:58:32
É Kal,
Existem também Psiquiatras que não levam muito à sério a
Bipolaridade e mesmo assim existimos. O que relatei foi reproduzido de um site
reconhecido, não acredito que publicaram por mera especulação. Existe um
livro chamado "Sybil" que conta a história de uma mulher que tem este
tipo de transtorno. O caso é verídico e o livro é muito bom e angustiante,
talvez devesse ler. Veja uma sinopse no link
abaixo:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Syb il_(livro)
Liana Lima   |11-10-2008 09:58:06
Olá
tambem sou bipolar, há 4 anos e meio.Só tive 1 crise, que foi euforica e
bem severa.
Meu medicamento esta suspenso desde que engravidei e agora
estou
amamentando. Estou super bem sem eles, de uma maneira que o psiquiatra nao
acredita, pois tenho encarado varios problemas que tem aparecido na minha vida
de maneira bem equilibrada, apesar de estar sem os medicamentos, acredito que
encontro forças na minha filha.
Quero processar uma pessoa por preconceito
contra minha doença psiquatrica. Fez comentários maldosos de maneira ofensiva,
referenciando que estou agindo de tal maneira
" por falta dos
medicamentos"
Quero saber se posso fazer isso, tenho prova concreta, um
email, vcs ja ouviram falar em processo por preconceito desse tipo? Quero que
ela tome cuidado com o que fala, alem do mais é uma medica.
Me
ajudem!!Abraços!!
Silvia   |23-10-2008 18:16:04
Olá Liana!
Acredito que você pode processar essa pessoa por preconceito sim,
sugiro que procure um advogado para se orientar.
Sinto que você está bem
segura a respeito da interrupção da sua medicação. Como Bipolar também
sugiro que você repense a respeito.
Falo isso a você pela minha experiência e
também por conviver com outros Bipolares. Já vi pessoas como nós ficarem um
tempo sem medicação se sentindo bem, no controle e de repente tudo desmoronar.
Fique atenta e sempre em contato com seu psiquiatra, ok?
Beijo grande,
Silvia
Maria   |16-09-2008 23:11:53
Preconceito existe e é forte. Escondo minha bipolaridade de todos para não ser
prejudicada profissionalmente. É a primeira vez que comento aqui, mas já
acompanho vocês há tempos. Criei também um blog para falar da minha vida como
bipolar, sabem onde posso encontrar outros?
Marcos   |25-09-2008 02:47:39
Olá Maria,
é muito desconfortável viver se escondendo de si mesmo para o
resto do mundo. Dá a sensação de que somos "criminosos". Já passei
por poucas e boas profissionalmente e até com a família por causa do
preconceito. Hoje, com o blog, não posso mais me esconder. Meu anonimato foi
quebrado com relação à bipolaridade e também à dependência química. Tenho
a vantagem de não dar à ninguém uma espécie de "segredo" meu para
usarem contra mim. Mas foi uma opção pessoal. Consigo conviver com ela numa
boa. Mas não foi tão fácil assim, ainda existe muita gente preconceituosa e a
luta é constante. O mais importante é lembrar que não estamos sozinhos, temos
uns aos outros para nos compreender.
Abreijos
RIVALDO BATISTA DOS SANTOS  - ROTINA   |10-10-2008 19:50:48
Após lê esta matéria, compreendi porque sempre estava mudando de emprego, e
só não saí do atual pq estou em tratamento, pois descobri que sou BIPOLAR
tipo 1.
Marcos  - Erros nos comentários   |14-10-2008 13:21:03
Estou tentando resolver o problema que estão ocorrendo nos comentários.
Eles são publicados apesar da mensagem, é só atualizar a página que aparece
o que digitou.
Abraços
José   |07-02-2009 22:56:08
há dois dias fui diagnósticado pelo meu psiquiatra como bipolar.
sei que cada
indivíduo responde diferentemente ao uso dos medicamentos, mas queria saber
quais as principais consequências físicas/psicológicas, como obesidade,
tremor nas mãos, etc.
Silvia  - Oi, José!   |16-02-2009 17:18:53
Olá!
Como você já deve saber, somos apenas portadores de Bipolaridade e não
profissionais.
Posso te dizer o que acontece comigo.
A medicação não me fez
engordar muito. Tenho tremor nas mãos que não me impedem de fazer nada, dá
até para disfarçar em público, rs.
Não sinto efeitos colaterais com a minha
medicação atual, pois eu e meu psiquiatra fomos ajustando aos poucos o que me
deixava mal.
Tomei uma vez um antidepressivo que tirava completamente minha
libido. Conversamos e trocamos a medicação. Isso acontece sempre que algo me
incomoda, sendo assim, estou hoje bem estabilizada.
Converse com seu psiquiatra
ao menor sintoma de desconforto e ajustem juntos as dosagens para que você só
tenha a lucrar com seu tratamento, sorte e abraços.
Silvia & Marcos
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