O Bipolar

Convivendo com o Transtorno

Thursday
Mar 11th
Home Opinião Médica Dr. Joel Rennó Jr. Saúde mental da mulher: principais inimigos são fatores psicossociais

Saúde mental da mulher: principais inimigos são fatores psicossociais

Avaliação do Usuário: / 13
PiorMelhor 

Mulher madura e saude mentalpor Joel Rennó Jr.
A luta feminina pela verdadeira felicidade ainda está longe do seu final. Vários fatores corroboram o meu ponto de vista. A mulher acaba tendo múltiplos papéis sobrecarregados e cobranças sociais e familiares, com conflitos conseqüentes envolvendo a educação dos filhos e a colaboração ativa como profissional. Seu trabalho ainda é desqualificado, apesar das evoluções recentes.
Vivemos em uma sociedade compressora e massacrante, altamente geradora de estresse, através de padrões pré-estabelecidos que tentam impedir uma reflexão individualizada. Modelos prontos de felicidade são vendidos por alguns autores de livros de auto-ajuda. A mídia cria, em algumas situações, estereótipos incongruentes e reducionistas do espectro comportamental feminino. Não podemos compactuar com esses estereótipos medíocres e preconceituosos.
Muitos medos e mitos existem como: temor do envelhecimento, perda da libido e da beleza, risco do envolvimento dos filhos com drogas e violência e o fim do casamento ou relacionamento.

Individualidades são constantemente desrespeitadas e transgredidas na sociedade atual. Muitos casamentos e relacionamentos acabam sendo desfeitos, sem chances concretas de uma transformação construtiva e criativa de ambas as partes. Viver diferenças exige generosidade e amadurecimento psíquico para que se possa estabelecer uma comunicação no relacionamento.

A ação contra certos estereótipos envolve a capacidade de entrega ao outro e a si mesma, assumindo suas fragilidades. Por que não pedir uma ajuda ou "colo" quando se sente fragilizada? Por que evitar alguns comportamentos com medo de exposição e críticas?
Muitas mulheres sofrem por aceitarem tais regras. Essas queixas consomem o psiquismo feminino. A evolução deve ser bilateral, exigindo também um processo de amadurecimento psicológico dos homens envolvidos nestes relacionamentos.
O envelhecimento deve ser encarado como uma dádiva. Rugas e alguma obesidade, independente dos inúmeros e dispendiosos tratamentos estéticos, chegarão cedo ou tarde. A velhice é inevitável. Mesmo assim, alguns homens ainda teimam em menosprezar suas parceiras, humilhando-as, ao exigirem, até ironicamente, um corpo e uma pele de menina aos 50 anos de idade. Em que nível fica a cumplicidade de um convívio íntimo estabelecido ao longo de décadas?
No meu consultório atendo mulheres que já estão na menopausa. Elas se sentem tristes, isoladas e desprezadas por seus companheiros e até filhos. Seu direito de transmitir conhecimentos e sentimentos são renegados, bem como sua sexualidade. Como se isso fosse um privilégio apenas dos jovens.
O parâmetro de juventude não pode ser considerado apenas pelos atributos físicos e número de anos vividos. A afetividade, a espiritualidade e a verdadeira sensualidade tornam-se secundárias e inúteis frente a uma sociedade que cultiva o corpo, o dinheiro, o consumismo excessivo e a permanência de uma imagem fixa e caricata de adolescente.
Conselhos

É necessário que você cuide de todos os aspectos da sua saúde. Procure não se enquadrar nas neuroses da modernidade como a eterna juventude e protótipos de uma felicidade artificial construída sobre um frágil e volátil pilar humano, que só gera angústias e perdas irreversíveis.
Entregue-se a um sentimento amplo de amor e paixão pelos seus semelhantes e pelas suas respectivas vidas, aproveitando em doses homeopáticas, a mágica dos períodos de transição e envelhecimento. Se precisarem, não hesitem em procurar uma ajuda especializada em saúde mental. Nem sempre o caminho solitário na busca de uma reestruturação psicológica é o ideal.

 

Profº Drº Joel Rennó Jr. - Saúde Mental e Cyber Saúde Mental
Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta. Especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Doutor em Medicina (Psiquiatria) pela Faculdade de Medicina da USP.
Coordenador Geral do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein-SP (HIAE).

 

Fonte:http://www2.uol.com.br/vyaestelar/mente_saude_mental_joel.htm

 


 


Comentários
Ciene  - DIREITO AO ABORTO E HIPOCRISIA SOCIAL   |08-11-2009 01:31:58
Sou mulher, professora e mãe de um menino de 7 anos. Há 5 fui diagnosticada
como bipolar e neste mesmo período separei-me do pai do garoto.

Venho
lutando sozinha pelo meu equilíbrio, pois minha família não aceita a
bipolaridade como doença, chegaram a insinuar que eu comprava atestados
médicos quando precisava tirar licença para me tratar.

Como são
espíritas e, desde criança, numa consulta espiritual, foi-lhes dito que sou
médium, eles dizem que meus sintomas são de mediunidade e não de
bi-polaridade. Mas, as piores crises aconteceram justamente quando eu estava
desenvolvendo sistematicamente a mediunidade. Então, por orientação médica,
parei. Foi o melhor para mim.

Mas, o fato é que posso contar com eles para
casos de doenças físicas, e não durante as crises de depressão ou mania.


Após a separação, tive poucos namorados. Recentemente, por carência
afetiva, envolvi-me com um amigo, com quem não tenho a mínima condição de
estruturar uma família, devido à completa ausência de atração física de
mim para com ele e, principalmente, pela diferença de gênios: Eu sou criativa,
impulsiva e sempre batalhei pela minha independência financeira, desde os 12
anos de idade. Ele, com 30 anos ainda é dependente dos pais para tudo.

Como
amigos, não me incomodava este fato, mas, quando iniciamos o namoro, eu apontei
inúmeras alternativas para que ele conseguisse uma forma de ganhar dinheiro e
ele não aceitava nenhuma. Esta atitude dele me irritou profundamente e eu - já
me conhecendo - sabia que iria pressioná-lo e, em momentos de crise, poderia
até agredi-lo se continuássemos nos relacionando como namorados. Assim, após
2 semanas, terminei o namoro para não perder a amizade com minhas cobranças.


Mas a grande ironia do destino ainda estava por vir. 5 dias após terminar o
namoro, fiz o teste de gravidez, pois minha menstruação estava 7 dias atrasada
e o resultado foi positivo.

EU NÃO QUERO E NÃO ACEITO ESTA CRIANÇA
INTRUSA! Tivemos poucas relações sexuais, todas com camisinha. Em uma delas,
aconteceu o vazaemento e tomei o contraceptivo de emergência. EU NÃO QUERO SER
MÃE DO FILHO DESTE HOMEM.

MEU MAIOR DESEJO É ABORTAR ESTE INTRUSO. EU NÃO
SUPORTO OS ENJÔOS (estou com 5 semanas de gestação), não vou me unir a este
homem banana. Eu consigo lutar por mim e pelo meu primeiro filho sozinha, mas
não quero carregar o peso de um idiota, que não sabe se mobilizar.

HOJE EU
ESTOU EM CRISE, lutando contra ideologias religiosas e sociais e contra este
ódio intenso sobre o ser miserável que habita dentro de mim. Infelizmente fui
educada no catolicismo e no espiritismo que condenam o aborto, assim como a
nossa lei hipócrita.

Dizem que a mulher não tem o direito de abortar. Mas
ninguém pode me impedir de odiar esta criança. E EU A ODEIO. Agora, me
respondam: o que vai ser deste ser, se, por ventura nascer. Eu ainda não tenho
coragem de matá-lo com minhas próprias mãos dentro de mim. Sou covarde. Mas
todos os dias mando que ele morra, envio pensamentos de cólera, de raiva e de
repulsa.

Hoje eu me agredi. Esmurrei o meu ventre até liberar o excesso de
ódio que não suporto mais. Tive vontade de esfaquiar minha barriga e por fim
à minha vida e a deste ser.

Afinal de contas, aborto é crime, mas
suicídio não é. Ao menos, morta, não vou ter que estar sujeita à hipocrisia
desta sociedade nojenta, que impõe o nascimento de uma praga, mas deixa à
mulher a obrigação de carregar e sustentar este fardo pelo resto da
vida.

Quanto a ser pecado, que DEUS SE FODA!!! Há muito tempo ele não fez
mais com que o maná caísse dos céus. Deus não sabe quanto custa o alimento,
a roupa, os remédios e a ed...
Teresinha  - Olá   |19-11-2009 20:07:08
Li seu depoimento e entendo sua dor. Deus não culpa nem castiga. Somos nós que
nos castigamos e nos culpamos. Independente de religião, a criança não tem
nada haver com a situação, com o pai. Procure ajuda. és uma mulher forte, se
não o fosse não teria escrito, na verdade já está buscando ajuda. Procure,
também, por Neuróticos Anônimos, lá encontrará muitas pessoas como você.
Inclusive, eu faço parte de N/A, Neuróticos Anônimos, e isto salvou a minha
vida. Se de uma chance para você, para o bebê. Tenho certeza que seu momento
difpicil pode ser superado. Desejo muitas 24 de paz e serenidade.
Silvia  - Oi Terezinha   |07-01-2010 08:26:13
Também sou de NA, só que de Narcóticos anônimos. Estamos juntas companheira
e é muito bom te ver por aqui.
Muitas 24 horas para todos
nós...
Beijocas,
Silvia
Silvia  - Oi Ciene   |07-01-2010 07:46:35
Primeiramente gostaria de pedir desculpas a todos vocês que tem postado
e
não
recebido respostas. Estamos passando por mais um período difícil
por
aqui, mas
estamos seguindo a vida com o tratamento mesmo no meio
das
turbulências.Pode se
que nos próximos dias fiquemos sem acesso ao
site
novamente pois está
complicado para manter financeiramente o site. Vamos
torcer
para que tudo dê
certo.

Sinto muito por não ter estado aqui quando
você estava passando por esse momento tão difícil. Seu depoimento é muito
forte e emocionante.
Não vou entrar no lado religioso da questão, a fé ou
falta dela é muito pessoal.
O que ficou claro para mim é que você precisa de
ajuda médica para tomar qualquer decisão. Qualquer que seja ela, não estamos
aqui para te julgar.
Em tratamento adquirimos muitas responsabilidades, e uma
das maiores é não fazer nada impulsivamente para não sofrer depois. A culpa
dói muito mais em nós que temos esse transtorno pois nossos sentimentos são
muito mais intensos.
Por favor dê notícias, não foi por descaso que não
estávamos aqui quando você tanto precisou e estou muito preocupada em como se
deu o período seguinte.
Torço para que você esteja bem e em paz.

Vou dedicar
para você uma música que gosto muito e acho que foi feita para nós
bipolares:

Colorida e Bela

Sonha demais e não vive
Pensa demais e não
fala
Guarda demais e não cabe
Sofre demais e não grita

Ama demais e não
dorme
Chora demais e não muda
Acha demais e não sabe
Muda demais e não
gosta

Sorri de menos e assusta
Tão injusta
Precisa abrir a janela
A vida é
colorida e bela

Anda demais e não para
Corre demais e não chega
Sente demais
e não ama
Gosta demais e não deixa

Doa demais e não pede
Luta demais e não
ganha
Troca demais e não serve
Dorme demais e não sonha

Sorri de menos e
assusta
Tão injusta
Precisa abrir a janela
A vida é colorida e bela

(Pedro
Mariano)


Abre a janela hoje e perceba que por mais que nossos problemas sejam
dificeis ainda tem coisas tão lindas por aí. Pode ter certeza de que enquanto
estou falando para você isso, também estou procurando perceber a beleza das
flores...


Abraço forte de esperança,

Silvia
Silvia  - Respondendo a um comentário que foi removido...   |07-01-2010 08:17:18
Vou postar abaixo um coméntário que foi removido. Não vou revelar
a identidade da pessoa e sim seu problema. Acho que é um problema que
muitos de nós passamos e nos vemos perdidos e sem saber como agir:

"Há pouco tempo fui aprovada em dois concursos públicos para
outras esferas de governo, e vou ter que passar por exame de aptidão
física e mental. Eu estou com muito medo. Essas novas colocações
iriam melhorar muito minha vida profissional e financeira, porém, no
serviço que me encontro atualmente, quase sofri processo por
inassiduidade, e tenho inúmeras licenças por causa da doença. Digo
na lata ao médico que sou bipolar? Corro o risco de não ser admitida
por causa da doença? Como disfarçar, para camuflar o diagnóstico do
médico perito?
Eu estudei muito para passar nesses concursos, e agora
estou com medo de por tudo a perder."



Resposta: Por medo de sermos vítimas de preconceito, muitas vezes
ocultamos nossa bipolaridade de parentes, amigos e no trabalho
também. Esse medo não é injustificado. Muitos tem a idéia de que
os portadores de qualquer doença emocional devem ficar longe
da sociedade.
Lutamos aqui para desmistificar isso: Em tratamento
e estabilizados somos seres produtivos da sociedade como qualquer
outro, e vamos lutar pelo nosso espaço.
Penso que mentir nesse caso
é o chamado "tiro no pé".
Em primeiro lugar temos que ter a
visão de que o psiquiatra é nosso aliado e não um inimigo.
Então para quê mentir para um perito?
Embora ele esteja a serviço
da empresa é antes de tudo uma pessoa que entende profundamente o que
sentimos e passamos. Além do que a mentira provavelmente será
descoberta e você passará (aí sim) como uma pessoa
pouco confiável.
Minha sugestão: Vá a consulta e se desnude. Fale
para ele que se sente apta a esse novo desafio profissional e também
que teme não ser aceita por ser bipolar.

No meu mais recente
emprego, não precisei falar a princípio sobre a bipolaridade.
No entanto vários colegas acabaram assistindo a reportagem e
comentando. Um dia em conversa com meu chefe (depois de uma discussão
de trabalho que eu me destemperei ) falei sobre minha
bipolaridade em tom de brincadeira dizendo o quanto era difícil
lidar comigo. Ele me disse: Eu já sabia. e quer saber de uma coisa?
Você lida muito bem com isso.

Foi gratificante!
Não digo que
devemos sair por aí falando para todos sobre nossos transtornos
(embora eu faça isso   ) temos que ter cuidado pois muitas
pessoas realmente não entendem, mas quando se trata de - como nesse
caso - conversar com um médico, é muito diferente.

Espero que tenha
ajudado divulgando essas informações.
Repito que para não
constranger o autor (já que ele retirou o post) editei para a não
identificação, pois o bem estar do coletivo aqui pessoal vem em
primeiro lugar.

Beijocas bipolares a todos,

Silvia
Maria Lacy Ferreira   |22-11-2009 17:05:40
Hoje acordei com muita saudade!!!!!....Saudade de minha filha, portadora dessa
maldita doença (bipolar-idade). Ela encontra-se em uma clínica muito
longe,ficara o tempo necessário, sinto muita falta, somos muito unidas apesar
da doença. Estou tendo acompanhamento psicológico para poder ajuda-la quando
retornar, espero realmente poder passar segurança pois é muito difícil para
compreender as mudanças repentinas........ainda esto engatinhando nesta
questão de compreensão tenho pedido muita luz, sabedoria para DEUS por minha
família e todas as que convive com esse problema.
Que Deus nos ilumine!!!....
Silvia  - Oi Maria   |07-01-2010 08:23:58
Entendo seus sentimentos, estou longe da minha filha e sofrendo muito.
Quero em
nome dos bipolares agradecer por você estar presente, por você se esforçar
tanto para entender, porque estar perto e fazendo tudo isso não é facil, mas
é exatamente o que precisamos nessa hora de aperto.
Grande abraço,

Silvia
Luciana   |19-01-2010 00:34:42
Precisamos de ajuda

Oi, eu tenho 23 anos, aos sete fui diagnosticada com DDA ,
aos 13 com depressão, ja comecei e parei inumeros tratamentos, hoje tenho medo
de ser uma Bipolar, pois lembro da dificuldade que era conviver com meu pai (que
me diziam ser maniaco-depressivo), vivo no limite ha muito tempo e estou
cansada...nao consigo ficar em um emprego, tenho um filho e não tenho
condições de ser uma boa mae por isso ele esta aos cuidados do pai, tento
começar minha vida outra vez, mas meu casamento esta ruindo mal tendo começado
esta muito dificil conciliar meu animo instavel (eufenismo sem vegonha), aos
cuidados que minha companheira precisa (ela é Borderline sem tratamento tbm),
gostaria muito que alguem pudesse me dizer como posso amenizar os danos das
fases ruins de cada uma, se de alguma forma temos como conviver sem essa pressao
de tentar estar bem o tempo todo (pois parece que qnt mais a gente tenta mais
nos complicamos por nao conseguir)...

Por isso estou escrevendo...nao quero
estragar tudo (outra vez)

Achei mto bom o site (embora me esfregue na cara mto
do que eu nao quero ver),valeu por partilhar tanta informação e tantos
sentimentos...é bom saber nao sou só eu que me sinto inconstante desse jeito.
Somente usuários registrados podem comentar!

3.26 Copyright (C) 2008 Compojoom.com / Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."

Última atualização ( Ter, 27 de Outubro de 2009 16:17 )  

Como é ser um Bipolar


Nosso Documentário


Translate

Advertisement